Quando o esquecimento deixa de ser normal? Sinais podem indicar Alzheimer e merecem investigação
No Setembro Lilás, neurologista do Hospital Mater Dei Goiânia explica quais mudanças na memória, comportamento e autonomia precisam de atenção e por que o diagnóstico precoce faz diferença
Esquecer onde colocou as chaves, demorar para lembrar o nome de alguém ou entrar em um cômodo e não recordar imediatamente o que iria fazer pode acontecer com o envelhecimento. O sinal de alerta surge quando os esquecimentos se tornam frequentes, progressivos e começam a interferir na rotina e na autonomia da pessoa.
Durante o Setembro Lilás, mês de conscientização sobre a doença de Alzheimer, especialistas reforçam a importância de reconhecer mudanças que não devem ser atribuídas simplesmente à idade.
Segundo a neurologista Lorena Bochenek, médica do Hospital Mater Dei Goiânia, mais importante do que um episódio isolado de esquecimento é observar como essas alterações evoluem e o impacto que passam a ter na vida cotidiana. “É normal que, com o envelhecimento, a memória fique um pouco mais lenta. O que chama a atenção para Alzheimer é quando o esquecimento começa a comprometer situações do dia a dia.
A pessoa que sempre cuidou das próprias contas pode começar a esquecer pagamentos, quem sempre cozinhou pode deixar o fogão ligado ou alguém pode repetir várias vezes a mesma pergunta, mesmo depois de receber a resposta”, explica.
Outro aspecto importante, segundo a neurologista, é que muitas vezes a própria pessoa não percebe as mudanças. A família pode começar a identificar repetição de histórias, esquecimento de compromissos ou erros em atividades que antes eram realizadas normalmente. “Mais importante do que um esquecimento isolado é observar a frequência, a progressão e o impacto na autonomia. O envelhecimento pode tornar a memória mais lenta; na doença de Alzheimer, a alteração tende a ser progressiva e começa a interferir na capacidade da pessoa de conduzir a própria vida”, afirma Lorena.
Mudanças de comportamento também merecem atenção
Os primeiros sinais não se restringem à memória. Perder-se em lugares conhecidos, apresentar dificuldade para organizar tarefas, administrar dinheiro ou medicamentos, ter problemas para encontrar palavras e depender cada vez mais da ajuda de outras pessoas também podem indicar a necessidade de avaliação.
Mudanças de comportamento e personalidade igualmente merecem atenção. “Apatia, irritabilidade, desconfiança excessiva, isolamento social ou perda de interesse por atividades que antes eram prazerosas também podem aparecer. Isso não significa necessariamente Alzheimer, porque existem outras causas de alterações de memória, inclusive algumas tratáveis. Por isso, diante de uma mudança persistente ou progressiva, a avaliação neurológica é fundamental”, orienta.
Diagnóstico ajuda a planejar o futuro
Identificar precocemente a causa das alterações cognitivas permite definir estratégias de acompanhamento e tratamento de acordo com as necessidades de cada paciente.
Para Lorena Bochenek, o diagnóstico também tem impacto direto sobre a família.“O diagnóstico precoce permite entender o que está causando a alteração cognitiva e qual é o estágio da doença. Isso possibilita iniciar as medidas terapêuticas e de prevenção de forma mais adequada e, quando indicado, avaliar tratamentos específicos para a doença de Alzheimer”, explica.
A identificação em estágios iniciais também permite organizar questões relacionadas à segurança, aos cuidados, às finanças e às decisões futuras enquanto o paciente ainda consegue participar ativamente desse planejamento. “Hoje, falar em Alzheimer não deve significar apenas falar em perda de memória. Quanto mais cedo identificamos a doença, maior é a possibilidade de planejar o cuidado de forma individualizada e preservar, pelo maior tempo possível, a autonomia, a funcionalidade e a qualidade de vida do paciente”, destaca a neurologista.