Dados de paciente usados em golpe acendem alerta sobre segurança das informações na saúde
Caso expõe riscos envolvendo acesso a informações médicas e reforça a importância dos direitos dos usuários de planos de saúde
Um caso recente chamou a atenção para um tema que afeta milhões de brasileiros: a segurança das informações dos pacientes dentro do sistema de saúde.
Segundo informações divulgadas pela Polícia Civil de Goiás, um paciente internado em UTI teve seus dados acessados e utilizados para convencer familiares a realizar uma transferência via PIX no valor de R$ 5,8 mil. A justificativa apresentada era a necessidade de um exame considerado urgente devido à suposta presença de uma bactéria grave. Ainda de acordo com o relato, os familiares foram informados de que o procedimento não teria cobertura pelo plano de saúde, o que levou ao pagamento imediato do valor solicitado.
A situação levanta um importante debate sobre a proteção dos dados dos pacientes e também sobre o acesso à informação correta quando há necessidade de exames, procedimentos e tratamentos durante uma internação.
Para a advogada Caroline Santos, presidente da Comissão de Direito da Saúde da OAB, os dados relacionados à saúde possuem proteção especial justamente por envolverem informações extremamente sensíveis.
“Quando um paciente é internado, ele compartilha informações pessoais, médicas e familiares que devem ser tratadas com absoluto sigilo. A proteção desses dados é uma obrigação das instituições que armazenam e administram essas informações”, explica.
A especialista destaca ainda que situações envolvendo supostas cobranças de exames ou procedimentos costumam gerar insegurança nos familiares, especialmente em momentos delicados como uma internação em UTI.
“Muitas pessoas desconhecem seus direitos e acabam acreditando que determinados exames não possuem cobertura ou que precisam ser pagos imediatamente. Por isso, é fundamental buscar informações diretamente com o hospital e com a operadora do plano de saúde antes de qualquer decisão”, afirma.
Caroline explica que, em muitos casos, exames considerados necessários para diagnóstico e tratamento devem ser analisados pela operadora do plano de saúde, observando as regras contratuais e a legislação aplicável. Por isso, a orientação é que pacientes e familiares solicitem esclarecimentos formais sempre que houver dúvidas sobre negativas de cobertura ou cobranças inesperadas.
Outro ponto destacado pela advogada é a necessidade de as instituições de saúde investirem continuamente em mecanismos de proteção das informações dos pacientes, restringindo acessos e fortalecendo protocolos de segurança.
“Além da preocupação com a proteção dos dados, situações como essa levantam uma discussão importante sobre responsabilidade. Quando informações médicas são acessadas ou utilizadas indevidamente, é necessário avaliar se a instituição adotava mecanismos adequados de segurança. Dependendo das circunstâncias, pode haver direito à reparação pelos prejuízos sofridos, inclusive por danos morais decorrentes da violação da privacidade e do uso indevido de dados sensíveis”, conclui.