Gilmar Mendes chama de “graves e absurdas” declarações de Flávio Bolsonaro sobre urnas eletrônicas
Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) criticaram as declarações do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), que voltou a questionar a segurança das urnas eletrônicas utilizadas nas eleições brasileiras. O parlamentar afirmou que os equipamentos teriam a mesma origem dos sistemas empregados na Venezuela e citados em um suposto relatório da CIA sobre fraudes eleitorais.
O ministro Gilmar Mendes reagiu às declarações e classificou as afirmações como “graves e absurdas”. Segundo ele, o sistema eleitoral brasileiro é confiável e auditável. “Essas colocações do senador Flávio Bolsonaro são graves e absurdas. Nosso sistema eleitoral é totalmente confiável”, afirmou.
Para o decano do STF, recorrer a episódios envolvendo outros países para colocar em dúvida a credibilidade das urnas brasileiras representa uma tentativa indevida de deslegitimar o processo eleitoral nacional.
Nos bastidores da Corte, ministros lembraram que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já desmentiu diversas vezes informações que associam as urnas brasileiras à empresa venezuelana Smartmatic. Essa narrativa já havia sido disseminada anteriormente por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas foi reiteradamente refutada pela Justiça Eleitoral.
Na avaliação de integrantes do Supremo, não há fundamento para que o tema volte a ser levantado, uma vez que as alegações já foram esclarecidas pelas autoridades responsáveis pelo processo eleitoral. Ministros também observaram que a postura de Flávio Bolsonaro repete a estratégia adotada por seu pai, Jair Bolsonaro, que durante seu mandato questionou reiteradamente a integridade das eleições, incluindo a reunião com embaixadores realizada no Palácio da Alvorada em 2022.
Após a repercussão das declarações, a equipe de campanha do senador divulgou uma nota afirmando que Flávio Bolsonaro não colocou em dúvida o sistema eleitoral brasileiro. Segundo o comunicado, o pré-candidato apenas mencionou um relatório atribuído à agência de inteligência dos Estados Unidos sobre as eleições venezuelanas. A nota, porém, não esclareceu a declaração do senador de que as urnas brasileiras teriam a mesma origem dos equipamentos citados no documento.
Na noite de terça-feira (21), o Tribunal Superior Eleitoral voltou a rebater publicamente as alegações. O episódio ocorre em um momento de desafios para a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, marcada por divergências internas no grupo político, impasses envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e dificuldades para a definição do candidato a vice-presidente na chapa.