Tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros entrou em vigor nesta quarta-feira

A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros passou a valer à 1h01 desta quarta-feira (22), elevando a tensão comercial entre os dois países. Diante da medida, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu priorizar as negociações com Washington, ampliar o apoio aos setores afetados e intensificar a busca por novos mercados, sem adotar, por enquanto, medidas de reciprocidade.

A sobretaxa foi oficializada na última sexta-feira (17) pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), após uma investigação que concluiu que determinadas políticas brasileiras prejudicariam empresas norte-americanas.

Embora o governo dos EUA não tenha detalhado todos os produtos atingidos, a nova tarifa incide sobre parte das exportações brasileiras e amplia a pressão comercial iniciada com o primeiro pacote tarifário anunciado pelo presidente Donald Trump, em julho de 2025.

Investigação embasou decisão

A cobrança adicional foi proposta em junho com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, instrumento que autoriza o governo norte-americano a investigar práticas comerciais consideradas desleais e aplicar sanções.

Durante a investigação, o USTR analisou temas como comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, concessão de patentes, pirataria, mercado de etanol e políticas de combate ao desmatamento ilegal. Segundo o órgão, esses fatores justificariam a aplicação da nova alíquota.

Negociações seguem sem acordo

As tratativas entre os dois governos foram marcadas por divergências. Enquanto representantes norte-americanos apontaram baixa participação do Brasil nas negociações, integrantes da equipe brasileira classificaram as exigências apresentadas por Washington como desfavoráveis à indústria e ao agronegócio nacionais.

Segundo relatos, as conversas também enfrentaram dificuldades porque os Estados Unidos não esclareceram de forma objetiva quais mudanças esperavam do governo brasileiro.

Após o anúncio da tarifa, o Palácio do Planalto classificou a decisão como um “marco lastimável” nas relações entre os dois países e chegou a sinalizar a possibilidade de recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica. Posteriormente, no entanto, o governo adotou uma postura mais cautelosa, priorizando o diálogo diplomático.

Governo prepara medidas de apoio

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e o secretário-executivo da pasta, Marcio Elias Rosa, afirmaram na terça-feira (21) que o Brasil continuará negociando com os Estados Unidos ao mesmo tempo em que prepara medidas para reduzir os impactos sobre os exportadores.

Segundo Elias Rosa, a decisão norte-americana é considerada “injusta, indevida e descabida”, mas isso não impedirá o governo de manter o diálogo e adotar ações para socorrer os setores prejudicados e tentar reverter a medida.

Entre as alternativas estudadas está a diversificação dos destinos das exportações brasileiras, reduzindo a dependência do mercado norte-americano e preservando a competitividade das empresas afetadas.

Reciprocidade permanece em análise

Apesar de integrantes da equipe econômica terem admitido anteriormente a possibilidade de acionar a Lei da Reciprocidade Econômica, o governo afirma que não pretende responder com retaliações imediatas.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou que o Brasil pretende agir com cautela e avaliar os impactos econômicos antes de decidir por eventuais contramedidas.

Segundo ele, o objetivo é evitar uma escalada da disputa comercial que possa prejudicar consumidores e empresas brasileiras.

Setor produtivo defende negociação

Representantes da indústria e do agronegócio também têm defendido a continuidade das negociações, rejeitando uma resposta automática com novas tarifas. O setor privado solicita ao governo medidas de apoio aos exportadores diretamente atingidos pela cobrança.

Ao comentar a estratégia brasileira, Geraldo Alckmin afirmou que o caminho é buscar uma solução diplomática.

“A ideia não é retaliação. Olho por olho, o que pode acontecer é os dois ficarem cegos.”

O vice-presidente ressaltou, entretanto, que o Brasil dispõe de instrumentos legais para reagir caso as negociações não avancem.

Com a entrada em vigor da tarifa de 25%, governo e setor produtivo iniciam uma nova fase da disputa comercial, marcada por esforços para preservar o diálogo com os Estados Unidos, minimizar os impactos econômicos e ampliar a presença dos produtos brasileiros em novos mercados.