EUA ampliam ofensiva contra o Irã, que reage com ataques a bases americanas no Oriente Médio
A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã ganhou novos contornos nesta quarta-feira (15), após forças americanas ampliarem os bombardeios contra alvos militares iranianos. Em resposta, Teerã lançou ataques contra bases dos EUA no Bahrein, Kuwait e Jordânia, aumentando o risco de uma guerra de grandes proporções no Oriente Médio.
Segundo a Reuters, a ofensiva americana ocorreu em duas etapas e atingiu sistemas de defesa costeira, depósitos de mísseis, instalações de drones, radares e centros de comando. Entre os principais alvos estava Bandar Abbas, cidade estratégica que abriga o maior porto iraniano e importantes estruturas militares próximas ao Estreito de Ormuz.
O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) afirmou que a operação busca reduzir a capacidade do Irã de ameaçar embarcações comerciais na região. Dias antes, os EUA já haviam bombardeado instalações militares em Bushehr, Chabahar, Jask, Konarak, Abu Musa e Bandar Abbas.
Irã ataca bases americanas
Em retaliação, a Guarda Revolucionária Islâmica informou ter lançado mísseis e drones contra instalações militares dos Estados Unidos em países que abrigam tropas americanas.
No Kuwait, os ataques tiveram como alvo a base aérea de Ali Al Salem. O grupo também afirmou ter atingido instalações da Quinta Frota americana no Bahrein e uma base militar na Jordânia. As autoridades jordanianas informaram que três mísseis balísticos foram interceptados antes de atingirem o território do país.
Explosões também foram registradas em diversas regiões iranianas, incluindo Bandar Abbas, Ahvaz, Konarak, Sirik, Qeshm, Khondab e Teerã.
Civis e militares estão entre as vítimas
A emissora estatal iraniana IRIB informou que um ataque americano ocorreu nas proximidades de um hospital em Ahvaz que abriga um centro de tratamento de câncer infantil, provocando a evacuação temporária da unidade.
Segundo autoridades iranianas, ao menos 30 civis morreram nos ataques registrados nos últimos dias no sul do país. O Exército do Irã também confirmou a morte de sete militares após um bombardeio contra a base de Bampur.
Disputa pelo Estreito de Ormuz aumenta tensão
O agravamento do conflito ocorre após os Estados Unidos retomarem o bloqueio naval a embarcações que entram ou saem de portos iranianos. A medida havia sido aplicada entre abril e junho e voltou a vigorar por determinação do presidente Donald Trump.
De acordo com o Centcom, mais de 140 embarcações foram desviadas durante a primeira fase da operação. Nesta quarta-feira, militares americanos interceptaram um petroleiro que seguia para a ilha de Kharg, principal centro exportador de petróleo do Irã.
Teerã condiciona a reabertura do Estreito de Ormuz ao cumprimento de um memorando firmado com Washington em junho e exige que as embarcações respeitem as regras impostas pelo governo iraniano para navegar pela região.
Antes da escalada militar, cerca de 20% das exportações mundiais de petróleo e gás passavam diariamente pelo estreito. Com a intensificação dos confrontos, aumentam as preocupações sobre possíveis impactos no abastecimento global de energia.
Refletindo esse cenário, o petróleo Brent encerrou o dia cotado a US$ 84,95 por barril, o maior valor em um mês.
Trump diz que Irã será derrotado
Durante um evento sobre defesa e inovação na Pensilvânia, o presidente Donald Trump afirmou que o Irã será derrotado “muito em breve” e declarou que Washington decidirá entre ampliar as operações militares ou buscar um acordo diplomático.
O republicano também revelou que negociadores americanos voltaram a manter contato com representantes iranianos e advertiram Teerã a retomar as negociações. Trump ainda ameaçou ampliar os ataques contra infraestrutura estratégica iraniana caso não haja avanço nas conversas.
Apesar do aumento das hostilidades, houve um gesto diplomático entre os dois países. Trump anunciou que o Irã autorizou a saída da cidadã americana Dena Karari, impedida de deixar o país desde dezembro de 2024. Segundo o advogado de direitos humanos Jared Genser, ela já está em segurança e retorna aos Estados Unidos.
A libertação ocorreu em meio ao agravamento do conflito, que já provocou milhares de mortes e milhões de deslocados, especialmente no Irã e no Líbano, onde também voltaram os confrontos entre Israel e o Hezbollah, aliado de Teerã.